As bonecas de supermercado

Diga-me como te vestes e te direi quem és é uma frase que ficou pra trás. Em tempos de “exibir-se ao olhar do outro” (Lipovetsky), desde que não esqueça a sua Céline em casa, a moda parece que perdeu a essência. Aventurar-se e descobrir novos caminhos só é permitido se esse caminho já foi desbravado por uma formadora de opinião qualquer. Quem usa o que não é, de fato, dito como tendência, corre o risco de não sair na coluna social. É que, depois de duas semanas de moda, a constatação é somente a seguinte: o que a gente lê nos blogs, todos os dias, é exatamente o que se vê na vida real. As meninas se vestem absolutamente iguais, com direito a bolsas idênticas e a mesma marca de sapato. Parecem bonecas saídas diretamente da linha de produção, prontas para serem encaixotadas e ficarem expostas nas gôndolas de um supermercado.

Há alguns anos era mais fácil praticar o exercício de personalidade x estilo. Hoje, com a velocidade da informação, é mais prático comprar aquilo que todo mundo tá usando. De preferência, na mesma cor. Vocês já perceberam como as tendências são disseminadas tão rápido quanto evaporadas? O último a usar é mulher do padre, e é por isso que todo mundo compra antes de avaliar se aquilo combina mesmo com o seu estilo. E o que acontece? Entre uma tendência e outra, existe um pequeno intervalo onde as bonecas de supermercado aparecem... e se transformam em novas bonecas tão logo a primeira cate a próxima calça que estiver na moda. Talvez porque, pelo direito da diversidade universal, esse consumismo globalizado e cada vez mais rápido surge a partir do desejo de ser diferente, mas com a necessidade de participar de um grupo no qual se identifique. Se o grupo for fechado, mais instigante ainda.
E aí vamos transportar alguns desses valores para uma experiência pessoal: durante o SPFW, eu precisei entrevistar pessoas famosas e anônimas, e me surpreendi nos dois sentidos. Ouvi vários “agora não, estou ocupado” – isso quando respondiam -, mas também ganhei um monte de sorrisos seguidos de uns minutos de conversa. Percebi que, por trás daquele uniforme de it girl (odeio essa palavra, mas não consegui pensar em outra – hehe), muitas vezes se esconde uma pessoa que não tem um pingo de educação. E, vou dizer: as pessoas que me receberam de maneira mais simpática e humilde foram justamente aquelas que não ostentavam nenhuma logo tamanho GG nas bolsas que carregavam.
Finalmente, o post é só pra dizer que falta criatividade, ousadia, originalidade e, principalmente, elegância. Educação a gente nem comenta, é item de primeira necessidade. Se vocês também acham que os assuntos são sempre os mesmos, as bolsas são todas iguais, os sapatos são da mesma griffe e as marcas (sempre as mesmas) são comentadas à exaustão, eu concordo com vocês. Essa coisa de ser igual pra se destacar é muito cafona e só reflete o vazio e o disfarce emocional da ansiedade pela próxima compra.
Pra terminar, uma frase inspiracional:
